Curso de Uchinaaguchi no Exatus Completa 10 Anos

No dia 12 de março de 2008, há 10 anos, inauguramos o Curso de Uchinaaguchi (língua de Okinawa)

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Gusuyoo, chuu wuganabira.


Hoje é um dia histórico para o Colégio Exatus.

 

No dia 12 de março de 2008, há 10 anos, inauguramos o Curso de Uchinaaguchi (língua de Okinawa), ao qual creditamos ser o primeiro do Brasil, fruto de uma idealização dos professores Julio Takara e Augusto Takara. Eles se movimentaram ao ver o maior legado de sua cultura, a língua pátria, o modo do Uchinanchu (pessoa de origem okinawana) e de seus antepassados (Uyafaafuji) se expressarem, à beira da extinção.

 

Talvez poucos saibam, mas Okinawa, somando-se todos os anos descontínuos, fez parte do Japão como uma província há pouco mais de 100 anos. Ela era sede, até 1879, da corte do Reino de Ryukyu.
 
Como parte de um programa imperialista de unificação e soberania nacional promovido pelo governo Meiji, o Reino de Ryukyu foi dissolvido e transformado na província de Okinawa e o Uchinaaguchi, assim como outras 5 outras línguas ryukyuanas reconhecidas pela UNESCO, foram proibidas e o sistema escolar forçou o aprendizado do japonês padrão (Hyojungo), negando aos Uchinanchus o direito à sua própria identidade.

 

 

Após todo esse tempo, incluindo períodos miseráveis e terríveis de guerra promovidos por japoneses e norte-americanos, a história local foi esquecida pela maioria da população okinawana. Além disso, o Uchinaaguchi vem sendo esquecido aos poucos e tem previsão de estar extinto em torno de 2050.

 

Contudo, muito do modo próprio do okinawano se expressar permaneceu até hoje. Não é incomum ainda ouvir um "Akisamiyoo", um "Unigee Sabira", um "Kariyushi" no meio de uma conversa entre Uchinanchus, tanto lá em Okinawa, quanto aqui no Brasil.

 

A forma de o Uchinanchu se expressar, o Uchinaaguchi, é o pilar sustentador dessa cultura tão especial e diferenciada, que podemos encontrar no Taiko, no Sanshin, no Odori, no Shibai e em outras manifestações culturais de Okinawa. Sem a força da língua e do seu entendimento, a cultura fica insípida e perde o sentido, ficando à mercê do momento e da moda.

 

É missão do Colégio Exatus lutar pela sobrevivência do Uchinaaguchi. Ela é a forma que nossos pais e antepassados nos passaram ensinamentos e cultura.
 
Negar isso é negar a existência de nós mesmos e do que motivou a existência e perpetuação desta instituição de ensino. Negar isso é o mesmo que esquecer do rosto de nossos pais.

 

 

Agradecemos a todos que contribuíram durante todo este tempo, em especial, à nossa sensei Keiko Uza Yonamine, que não mede esforços em nos ajudar a elevar a nossa cultura e o nosso conhecimento. Sem ela, todo este projeto não sairia do papel.

 

Agradecemos também a todos que fazem ou fizeram parte deste projeto. Toda presença e colaboração, e suas histórias de vida, mantiveram este projeto vivo e gratuito aos que acreditam na cultura e na educação. Nosso Ippe Nifeedeebiru (muito obrigado)!

 

Em tempo: O Curso de Uchinaaguchi e cultura de Ryukyu é gratuito a todos que têm o compromisso de estudar, aprender e contribuir e acontece atualmente aos sábados. Ministramos também aulas de Sanshin (viola okinawana). Maiores informações pelo telefone (11) 2941-1196.

 

[As fotos são de 2008 e 2018]

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